A pesquisa Datafolha divulgada pelo G1 nesta quinta-feira, 1º de outubro, colocou a disputa pelo Senado em São Paulo no centro da atenção política. O motivo é objetivo: quatro candidatos aparecem em empate técnico na soma das menções para as duas vagas. Marina Silva, da Rede, tem 16%. André do Prado, do PL, tem 15%. Simone Tebet, do PSB, também tem 15%. Guilherme Derrite, do PP, aparece com 14%.
Esse tipo de número costuma gerar ruído porque a eleição para o Senado não funciona como uma corrida comum de primeiro colocado contra segundo colocado. Em 2026, cada estado e o Distrito Federal elegem dois senadores. O eleitor precisa votar em dois nomes diferentes. Não dá para repetir o mesmo candidato nas duas linhas da urna. Por isso, a pesquisa soma as intenções de primeira e segunda vaga e transforma o resultado em um retrato proporcional da disputa.
O placar que colocou a eleição em alerta
No total para as duas vagas, o Datafolha registrou Marina Silva com 16%, André do Prado com 15%, Simone Tebet com 15% e Guilherme Derrite com 14%. A distância entre o primeiro e o quarto colocado é de apenas dois pontos percentuais. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos, para mais ou para menos, os quatro estão tecnicamente embolados.
| Candidato | Partido | Total para as duas vagas |
|---|---|---|
| Marina Silva | Rede | 16% |
| André do Prado | PL | 15% |
| Simone Tebet | PSB | 15% |
| Guilherme Derrite | PP | 14% |
O levantamento ouviu 1.610 pessoas entre os dias 28 e 30 de setembro. O nível de confiança informado é de 95%, e o registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é SP-01367/2026. Esses dados importam porque delimitam o que a pesquisa pode e não pode dizer. Ela mostra o momento captado naquele intervalo. Não é uma previsão fechada do resultado.
Por que a segunda vaga muda tudo
A parte mais delicada da leitura está na segunda escolha. Para o eleitor, votar no Senado em uma eleição de duas vagas exige uma combinação. Para as campanhas, isso muda a lógica da propaganda. Não basta ser lembrado como nome principal. Também é preciso ser aceitável como segundo voto por eleitores que já têm outra preferência mais forte.
O Datafolha mostra Guilherme Derrite numericamente à frente na primeira vaga, com 19%, seguido por Marina Silva com 18%, Simone Tebet com 17% e André do Prado com 13%. Já na segunda vaga, André aparece com 18%, Marina com 14%, Tebet com 13% e Derrite com 8%. Essa divisão ajuda a explicar por que o total fica tão apertado. Um candidato pode estar forte como primeira opção e mais fraco como complemento. Outro pode crescer justamente como segunda escolha.
Na prática, a campanha deixa de ser apenas uma briga por identidade ideológica. Vira também uma disputa por compatibilidade. Quem convence o eleitor de que merece o segundo voto pode compensar uma largada mais modesta como primeira opção. Quem fica rejeitado como segunda escolha pode perder espaço mesmo aparecendo bem na vitrine principal.
Indecisos ainda seguram parte da eleição
Outro dado relevante é a pesquisa espontânea. Segundo o Datafolha, 53% dos entrevistados não souberam citar um candidato quando os nomes não foram apresentados. Esse número não significa que mais da metade do eleitorado necessariamente ficará sem votar em senador. Significa que a lembrança espontânea ainda é baixa, mesmo entre nomes conhecidos da política nacional e estadual.
Também aparecem 12% de indecisos no cálculo total para as duas vagas e 12% em branco ou nenhum. Em uma disputa apertada por dois pontos, esse bloco pesa. Campanhas costumam olhar para esse grupo com atenção porque a eleição para o Senado permite rearranjos tardios. Um debate, uma aliança local, uma rejeição mal administrada ou uma campanha de voto casado podem empurrar votos de forma relevante.
Com quatro nomes separados por dois pontos e margem de erro de dois pontos, a manchete honesta é empate técnico, não liderança consolidada.
O caso Salles e o risco de leitura automática
A pesquisa ainda traz um detalhe importante sobre Ricardo Salles, do Novo. De acordo com o G1, ele anunciou a retirada da candidatura na mídia em 28 de setembro, depois do registro da pesquisa junto à Justiça Eleitoral, mas ainda constava como candidato apto. Por isso, seguindo a legislação eleitoral, o nome continuou sendo apresentado no levantamento.
Esse ponto evita uma leitura apressada. Salles aparece com 2% no total para as duas vagas. Se a retirada se confirmar no plano jurídico e político, parte desse voto pode migrar. Não há como cravar para onde. O que dá para dizer, sem inventar cenário, é que uma eleição empatada fica ainda mais sensível quando qualquer fatia pequena do eleitorado pode alterar a ordem dos competidores.
O que muda a partir de agora
O recado político da pesquisa é duro: a disputa por São Paulo segue aberta. Marina lidera numericamente no total, André do Prado cresce em relação à rodada anterior, Simone Tebet permanece colada no pelotão de cima e Derrite mantém força na primeira vaga. Nenhum deles tem gordura suficiente para tratar a vaga como garantida.
Para o eleitor, o dado útil é separar pesquisa de torcida. O levantamento mostra uma fotografia, com método, data, margem e registro. Ele não autoriza conclusão definitiva sobre vitória. Para as campanhas, a mensagem é ainda mais direta: em uma eleição de duas vagas, convencer o eleitor a lembrar do nome pode não bastar. É preciso entrar na combinação final do voto. Em São Paulo, pelo Datafolha, essa combinação continua sem dono.
