A nova pesquisa Futura/Apex colocou a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente da desaprovação pela primeira vez na série recente divulgada pelo instituto. Segundo os dados publicados pela CNN Brasil, 49,6% dos entrevistados aprovam Lula, 47,7% desaprovam e 2,7% não souberam ou não responderam. O número chama atenção porque inverte o resultado de maio, quando 51,8% desaprovavam o presidente e 44,9% aprovavam.

A leitura honesta é esta: Lula melhorou, mas não escapou da divisão do país. A distância entre aprovação e desaprovação é pequena. A margem de erro informada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Isso impede qualquer leitura triunfalista. Ao mesmo tempo, também derruba a ideia de que o governo só acumulava desgaste. A fotografia de junho mostra um presidente competitivo na opinião pública, ainda vulnerável, mas menos pressionado do que no mês anterior.

O levantamento ouviu 2.000 pessoas em todo o país entre os dias 8 e 12 de junho, por entrevistas telefônicas assistidas por computador. A pesquisa foi feita com recursos próprios do instituto e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-01461/2026. Esses detalhes importam porque 2026 já é ano eleitoral, e pesquisa sem metodologia clara vira munição ruim para todos os lados.

O que mudou de maio para junho

A virada mais visível está na pergunta direta sobre aprovação. Em maio, Lula tinha 44,9% de aprovação e 51,8% de desaprovação. Em junho, passou para 49,6% de aprovação e 47,7% de desaprovação. Em termos brutos, a aprovação subiu 4,7 pontos, enquanto a desaprovação caiu 4,1 pontos. É um deslocamento relevante, embora ainda dentro de um ambiente polarizado.

Também houve melhora na avaliação do governo. A fatia que classifica Lula como ruim ou péssimo ficou em 41,4%. Os que veem o governo como ótimo ou bom são 39,8%. Outros 18% consideram regular, e 0,9% não souberam ou não responderam. Em maio, a avaliação ruim ou péssima era de 45,7%, enquanto ótimo ou bom somava 37,5%. Ou seja: a avaliação negativa recuou e a positiva subiu, mas o país continua praticamente rachado.

IndicadorMaioJunho
Aprova Lula44,9%49,6%
Desaprova Lula51,8%47,7%
Governo ótimo ou bom37,5%39,8%
Governo ruim ou péssimo45,7%41,4%
Governo regular15,6%18,0%

Por que isso importa agora

Pesquisa de aprovação não decide eleição sozinha, mas mexe no comportamento de aliados, adversários e Congresso. Quando um governo parece derreter, parlamentares cobram mais caro para votar com o Planalto, partidos de centro testam distância e a oposição ganha coragem para impor derrotas. Quando o presidente mostra recuperação, mesmo modesta, o custo político de enfrentá-lo aumenta.

Esse é o ponto prático do levantamento. Lula não ganhou um conforto amplo. Ganhou argumento. Pode dizer a aliados que a queda foi contida, que a desaprovação deixou de liderar e que há espaço para disputar a opinião pública. Para a oposição, o dado é incômodo porque reduz a força da tese de desgaste irreversível. Para o eleitor comum, mostra algo mais simples: a avaliação do governo está oscilando, não congelada.

A melhora pode ter várias causas, e a pesquisa não prova causalidade. O governo vem tentando colar sua comunicação em renda, emprego, programas sociais, crédito, consumo e defesa do Pix contra pressões externas. Também tenta associar adversários ao risco de retrocesso em benefícios e serviços públicos. Do outro lado, a oposição aposta em inflação percebida, segurança, impostos, escândalos e fadiga com o petismo. A pesquisa mede o resultado agregado dessa disputa, não explica sozinha qual peça moveu o ponteiro.

A margem impede euforia

O Planalto tem motivo para comemorar, mas não para relaxar. A diferença entre aprovação e desaprovação é de 1,9 ponto percentual. A margem de erro é de 2,2 pontos. Tecnicamente, isso pede cautela. O dado mais forte não é a distância atual, e sim a mudança em relação a maio: a desaprovação caiu, a aprovação subiu e a avaliação negativa do governo recuou.

Também é importante separar aprovação pessoal de avaliação administrativa. Um eleitor pode aprovar Lula como presidente, mas achar o governo regular. Outro pode reprovar Lula e ainda reconhecer alguma medida específica. Por isso, a fatia de 18% que classifica o governo como regular é politicamente valiosa. Esse grupo costuma ser mais móvel do que o eleitor plenamente convencido de um lado ou de outro. Em país polarizado, é ali que governos sobrevivem ou perdem tração.

A pesquisa não mostra um Lula folgado. Mostra um Lula que parou de cair e voltou a disputar o centro da opinião pública.

O efeito no tabuleiro de 2026

Como a pesquisa está registrada no TSE, o dado entra naturalmente no ambiente eleitoral. Ainda é cedo para transformar aprovação em projeção de voto, mas nenhum ator relevante ignora esse tipo de sinal. Candidatos a governador, partidos de centro, bancadas temáticas e potenciais aliados calculam risco olhando justamente para pesquisas assim.

Se a melhora continuar em próximos levantamentos, Lula terá mais margem para organizar palanques, negociar alianças e defender sua agenda no Congresso. Se o resultado for apenas um soluço estatístico, a pressão volta rápido. A oposição vai tentar enquadrar o número como empate técnico e insistir que quase metade do país desaprova o presidente. O governo vai destacar a virada sobre maio e a queda da avaliação negativa. Os dois lados têm munição, e é por isso que o dado deve render.

O que não dá para fazer é fingir que nada aconteceu. A pesquisa Futura/Apex mostra mudança real no retrato divulgado hoje: aprovação de 49,6%, desaprovação de 47,7%, melhora sobre maio e queda na avaliação ruim ou péssima. Isso não encerra a disputa política brasileira. Só confirma que ela continua aberta, barulhenta e muito dependente da economia, da comunicação e dos próximos choques até a eleição.