Ivan Moré deixou a LeoDias TV em um momento em que a emissora tentava ganhar escala justamente com a Copa do Mundo. A saída ocorreu nesta terça-feira (16), durante a cobertura do torneio nos Estados Unidos, México e Canadá, pouco mais de um mês após o jornalista ser apresentado como uma das apostas do grupo para o conteúdo esportivo.
A informação inicial foi publicada pelo Notícias da TV, que tratou o caso como demissão e apontou problemas internos com a direção. Na sequência, outros veículos reproduziram a notícia e acrescentaram versões sobre divergências editoriais, bastidores da cobertura e incômodo com pautas ligadas à CBF. A equipe de Ivan Moré, porém, deu uma versão mais controlada: disse que não houve demissão e que a parceria foi encerrada em comum acordo, por decisão de natureza editorial.
Essa diferença de narrativa importa. Em televisão, especialmente em um projeto digital que depende de reputação, patrocinador e velocidade, chamar uma saída de demissão ou de comum acordo muda o tom público da história. Mas não muda o ponto central para o público: Moré saiu no sexto dia de Copa, quando o investimento editorial ainda deveria estar acelerando, não sendo desmontado.
O que foi confirmado até agora
O confirmado é que Ivan Moré não segue na LeoDias TV. O jornalista tinha sido contratado para reforçar a cobertura da Copa do Mundo de 2026 e aparecia como nome conhecido de esporte, depois de quase duas décadas de passagem pela Globo em programas como Globo Esporte e Esporte Espetacular. A contratação tinha lógica: Moré dava lastro jornalístico a um canal mais associado a celebridades e entretenimento.
Segundo o Notícias da TV, a ruptura aconteceu por problemas internos com a direção da LeoDias TV. O portal afirmou que havia divergências editoriais e que uma pauta envolvendo Samir Xaud, presidente da CBF, teria pesado no desgaste. O Tempo, Purepeople, Sporting News e outros sites também registraram a versão de que a relação teria azedado durante a cobertura do Mundial.
Do outro lado, a equipe do apresentador afirmou que Ivan Moré e o Grupo Leo Dias encerraram a parceria em comum acordo, por decisão editorial. Essa versão não nega a ruptura; apenas tenta enquadrar o episódio como desacordo profissional, não como queda unilateral. Até a última checagem, Moré não tinha dado uma explicação longa e direta sobre todos os bastidores citados pelas publicações.
| Ponto | Situação |
|---|---|
| Saída da LeoDias TV | Confirmada por publicações e pela versão atribuída à equipe de Moré |
| Motivo exato | Há versões divergentes: demissão por desgaste ou encerramento em comum acordo |
| Momento | Durante a cobertura da Copa do Mundo de 2026 |
| Elemento de bastidor | Sites citam divergências editoriais e pauta envolvendo Samir Xaud |
Por que a saída viralizou
A saída viralizou porque não é só uma troca de elenco. Ela aconteceu durante a Copa, o produto esportivo mais caro e mais disputado do calendário. Quando um canal aposta em um nome conhecido para dar credibilidade à cobertura e esse nome sai antes mesmo de a competição engrenar, a pergunta óbvia aparece: o projeto tinha alinhamento editorial real ou era só uma contratação de impacto?
Também pesa o perfil dos envolvidos. Ivan Moré construiu imagem pública ligada ao jornalismo esportivo tradicional. A LeoDias TV vem de outro território: celebridades, bastidores, conflito, fofoca e notícia quente. Misturar esses mundos pode funcionar, mas exige uma regra clara sobre fronteira editorial. Se o contratado entende que determinada pauta invade uma zona que compromete sua atuação esportiva, e a direção entende que essa pauta é justamente o DNA do canal, o atrito não é surpresa.
O caso de Samir Xaud entrou nesse debate porque sites relataram que uma notícia sobre a vida pessoal do presidente da CBF teria sido o ponto de desgaste. É uma pauta que conversa com o universo de celebridades, mas também encosta em futebol institucional em plena Copa. Para um comunicador esportivo, esse tipo de cruzamento pode ser delicado: cobre-se a Seleção, conversa-se com dirigentes, depende-se de acesso, mas ao mesmo tempo o canal quer audiência com bastidor agressivo.
O fato relevante para o público é que a parceria acabou no auge da exposição, e não depois de um ciclo normal de avaliação.
A Copa virou laboratório de mídia
A Copa de 2026 não está sendo disputada só em campo. Ela virou uma briga de formatos, plataformas e personalidades. CazéTV, GE TV, canais de YouTube, transmissões tradicionais, cortes de bastidor e programas digitais disputam atenção minuto a minuto. Nesse ambiente, contratar um rosto conhecido pode acelerar confiança. Mas também cria choque quando a linguagem do profissional não combina com a máquina de conteúdo que o contratou.
Ivan Moré era uma escolha compreensível para um canal tentando entrar com mais força no esporte. Ele tem experiência, nome reconhecível e trânsito com o público de futebol. Só que a contratação de um jornalista não resolve sozinha a identidade de uma cobertura. Se a pauta do dia mistura Seleção, CBF, influenciadores, bastidores e celebridades, a redação precisa saber se está fazendo jornalismo esportivo, entretenimento ou uma mistura explícita dos dois.
O público percebe essa confusão rapidamente. A saída em plena Copa passa a ser lida como sintoma, não como detalhe administrativo. Para quem acompanha mídia, a pergunta agora é menos sobre a personalidade de Moré e mais sobre o modelo: dá para vender uma cobertura esportiva com rosto de jornalismo tradicional e operar com lógica de portal de bastidor?
O que observar daqui para frente
O próximo passo é ver como cada lado vai se posicionar. Se a LeoDias TV reforçar a tese de comum acordo, tenta reduzir o dano comercial e preservar o projeto de Copa. Se Ivan Moré optar por falar mais claramente, pode explicar se havia conflito sobre pauta, formato, uso de imagem, exclusividade ou relação com patrocinadores. Até lá, qualquer afirmação além do que foi publicado deve ser tratada como bastidor, não como fato fechado.
Para a LeoDias TV, o problema imediato é operacional: cobrir uma Copa sem o nome que tinha sido anunciado como peça forte. Para Moré, o desafio é proteger a própria marca em um episódio que mistura esporte, entretenimento e disputa narrativa. E para o público, sobra a parte mais útil: entender que a guerra por audiência na Copa não acontece apenas entre seleções. Ela também acontece dentro das redações, nos contratos e nas escolhas editoriais que quase nunca aparecem na tela.
O episódio deve continuar rendendo porque junta personagens conhecidos, timing perfeito e versões conflitantes. Mas a leitura mais honesta, por enquanto, é esta: Ivan Moré saiu da LeoDias TV no meio da Copa, a saída foi atribuída a divergências editoriais por sua equipe e a problemas internos por publicações de imprensa. O resto ainda depende de manifestação direta e documentação mais clara.
