A pesquisa CNT/MDA divulgada em 16 de junho joga luz sobre uma eleição que ainda está longe, mas que já virou disputa diária por narrativa. O dado mais forte é o segundo turno: Lula aparece com 49,3% das intenções de voto, contra 36,8% de Flávio Bolsonaro. A diferença é de 12,5 pontos percentuais. Brancos e nulos somam 11,2%, e 2,7% dos entrevistados dizem estar indecisos nesse confronto direto.
No primeiro turno estimulado, o presidente também lidera. Lula registra 41,8%, enquanto Flávio Bolsonaro marca 28,2%. A distância é de 13,6 pontos. Depois vêm Ronaldo Caiado, com 4%, Romeu Zema, com 2,8%, Joaquim Barbosa, com 2,3%, Renan Santos, com 2%, Michel Temer, com 1,9%, e Augusto Cury, com 1,8%. Brancos e nulos são 7%, e indecisos chegam a 7,9%.
O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre 10 e 14 de junho, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04256/2026. Esses detalhes importam porque pesquisa sem amostra, margem, período de campo e registro vira peça de torcida, não informação útil.
O que mudou desde abril
A fotografia de junho é ruim para Flávio Bolsonaro quando comparada à rodada anterior. Segundo a série citada pela CNT/MDA, Lula passou de 45% para 49% no cenário de segundo turno, enquanto Flávio caiu de 40% para 37%. No primeiro turno, Lula oscilou de 39% em abril para 42% agora. Flávio saiu de 30% para 28%.
É cedo demais para tratar isso como destino eleitoral. Mas é cedo demais também para fingir que o número não pesa. Pesquisa não elege ninguém em junho de 2026, só que ela mede organização de voto, rejeição, memória política e capacidade de ocupar o centro da conversa. Nessa rodada, Lula aparece mais perto de consolidar seu campo do que Flávio aparece de herdar automaticamente o eleitorado bolsonarista inteiro.
Onde Lula é mais forte
A vantagem de Lula não é homogênea. Ela se apoia em grupos bastante claros. Entre mulheres, o petista marca 43% no primeiro turno, contra 25% de Flávio Bolsonaro. No Nordeste, a distância cresce: 58% a 20%. Lula também lidera entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, por 49% a 22%, entre pessoas com ensino fundamental, por 50% a 20%, e entre católicos, por 47% a 24%.
Esses recortes explicam por que a eleição continua difícil para a oposição mesmo depois de anos de desgaste do governo. O voto de baixa renda, o Nordeste e o eleitorado feminino formam blocos grandes demais para serem tratados como detalhe. Quando um candidato abre vantagem nesses segmentos ao mesmo tempo, o adversário precisa compensar com margens muito fortes em outros lugares.
Também há um recado para quem acompanha a campanha apenas pela bolha digital. A força de um candidato nas redes pode criar barulho, mas urna nacional depende de penetração territorial, renda, religião, gênero e região. A CNT/MDA mostra justamente essa geografia eleitoral. Lula aparece mais forte onde o voto popular costuma decidir vantagem em massa; Flávio aparece melhor onde o bolsonarismo já tem ancoragem. A briga, portanto, não é só por curtidas ou cortes de vídeo. É por ampliar fronteiras fora do público que já está convencido.
Onde Flávio resiste
Flávio Bolsonaro segue competitivo em territórios tradicionais da direita. Entre evangélicos, ele aparece com 41%, contra 28% de Lula. No Sul, lidera por 38% a 30%. No agrupamento Norte/Centro-Oeste, fica à frente por 36% a 29%. Entre eleitores que se declaram de direita, chega a 57%.
Esse é o ponto que impede uma leitura simplista. O senador não está fora do jogo. Ele tem base, sobrenome, identificação ideológica e um eleitorado duro. O problema, para ele, é outro: transformar força de nicho em maioria nacional. A pesquisa sugere que ele ainda não furou o teto necessário para disputar o centro, onde a eleição costuma ser decidida.
A direita continua espalhada
O primeiro turno mostra muitos nomes pequenos no campo anti-Lula. Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Joaquim Barbosa, Renan Santos, Michel Temer e Augusto Cury aparecem abaixo de 5%. Individualmente, nenhum deles ameaça a liderança de Lula ou a posição de Flávio. Coletivamente, porém, eles mostram que existe um eleitorado de direita e centro-direita que ainda não se encaixou de forma definitiva em uma candidatura.
A própria pesquisa indica volatilidade nesse grupo. Entre eleitores de Ronaldo Caiado, 56% dizem que ainda podem mudar de voto. Esse percentual chega a 63% entre apoiadores de Renan Santos, 65% entre os de Joaquim Barbosa, 72% entre os de Augusto Cury, 77% entre os de Romeu Zema e 82% entre os de Michel Temer. É muito voto mole para uma campanha que ainda nem entrou na fase quente.
Esse nível de incerteza é uma oportunidade e um risco para a oposição. É oportunidade porque votos pouco consolidados podem ser reorganizados por uma campanha forte, por alianças estaduais ou por uma mudança no ambiente econômico. É risco porque, sem coordenação, esses mesmos votos podem continuar pulverizados enquanto Lula preserva uma base mais previsível. A pesquisa não diz que a direita não tem voto. Diz que, hoje, ela ainda não transformou esse voto em maioria no confronto testado.
| Cenário | Lula | Flávio Bolsonaro | Diferença |
|---|---|---|---|
| 1º turno estimulado | 41,8% | 28,2% | 13,6 pontos |
| 2º turno | 49,3% | 36,8% | 12,5 pontos |
O que dá para concluir agora
A conclusão honesta é simples: Lula começa esta rodada em posição confortável, mas a eleição de 2026 ainda não está resolvida. O presidente lidera com folga no cenário testado, ampliou vantagem sobre Flávio Bolsonaro e aparece forte em segmentos decisivos. Ao mesmo tempo, a direita ainda tem espaço para reorganização, principalmente se parte dos eleitores de candidaturas menores migrar para um nome único.
O que a CNT/MDA entrega, portanto, não é uma previsão fechada. É um alerta de momento. Flávio Bolsonaro aparece como o principal nome da oposição no cenário medido, mas ainda distante de Lula em uma disputa direta. Para o governo, o número ajuda a sustentar a narrativa de favoritismo. Para a oposição, mostra que só repetir o sobrenome Bolsonaro talvez não baste.
O levantamento CNT/MDA ouviu 2.002 eleitores entre 10 e 14 de junho, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número BR-04256/2026.
A eleição ainda vai passar por economia, alianças, televisão, redes sociais, investigações, debates e fatos imprevisíveis. Mas a pauta explodiu porque pesquisa presidencial mexe com expectativa de poder. E, nesta terça-feira, o número que ganhou tração foi claro: Lula 49,3%, Flávio 36,8% no segundo turno.
